quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Porto do Açu: mais impactos ambientais à vista


A degradação ambiental provocada pelas obras do porto do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense, teve como foco principal, até o momento, a salinização do solo e da água doce em canais e lagoas da região, que está afetando as lavouras e a vida aquática da área, segundo um estudo recente realizado por pesquisadores da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense).
Porém, de acordo com o projeto do porto, o empreendimento contará com dez berços de atracação, sendo quatro para minério de ferro, dois para movimentação de petróleo, um para carvão e três para produtos siderúrgicos. O porto também terá uma ponte de 2,9 km de extensão e permitirá a atracação de navios com capacidade de até 220.000 toneladas. O projeto também tem sido apontado como fundamental para o extrativismo de óleo e gás devido a proximidade da área à bacia de Campos
De posse dessas informações a respeito da construção prevista, nos deparamos com uma gama extensa de impactos ambientais possíveis, e até mesmo prováveis, devido à extrema falta de fiscalização e a contínua vontade de obter lucros financeiros rápidos, comuns em nosso país.
O extrativismo mineral, por exemplo, causa danos irreversíveis ao meio ambiente, produzindo, dentre outros, impactos fluviais, como a destruição das margens dos rios e a contaminação das águas por resíduos advindos do processo. Além disso, os rios acabam por ser assoreados, causando modificações profundas no ecossistema e contaminando a fauna e a flora. Já o extrativismo petrolífero, dá margem a diversos tipos de impactos ambientais, dentre eles os vazamentos de petróleo e gases nocivos, que afetam enormemente os três grandes compartimentos do planeta: o ambiente aquático, a atmosfera e o solo; além de produzir diversos outros tipos de resíduos poluentes.
O fato de o porto permitir o atracamento de navios com capacidade de até 220.000 toneladas de carga nos leva a pensar também na possibilidade de impactos como o ocorrido com o navio petroleiro Exxon Valdez, em que houve o derramamento de 41 milhões de litros de petróleo na costa do Alasca, em um dos maiores desastres ambientais da história recente. Os efeitos nefastos desse derramamento são percebidos até hoje, quase 25 anos depois do ocorrido, na vida animal e vegetal do local.
Em uma época em que já demos passos na direção correta para, se não acabar completamente com a poluição ambiental, amenizar de forma coerente, tendo, como exemplo, o protocolo de Kyoto para equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade, uma construção desse porte pode impactar ainda mais o meio ambiente e caminhar na direção oposta à preservação, de forma extremamente preocupante. A desculpa de que “gerará milhões de empregos ao longo de sua construção” não é válida, se, ao final da construção, o legado deixado para nossos filhos será algo que ninguém gostaria de receber: um meio ambiente impactado e inóspito, incompatível com a vida.
Fonte: NN - A Mídia do Petróleo

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