Na tarde de ontem (01), seguindo os passos de sua amiga e presidente da Argentina, Cristina Kirchner - de reestatizar a petroleira espanhola Repsol-YPF - o presidente da Bolívia, Evo Morales anunciou em ato público na capital, La Paz, a nacionalização da filial local de transmissão de energia elétrica do grupo espanhol Red Elétrica, após criticar desinvestimentos no país.
"Como justa homenagem a todo o povo boliviano que tem lutado pela recuperação dos seus recursos naturais, pela recuperação dos serviços básicos, nacionalizamos a transmissora de eletricidade em nome do povo boliviano", disse o presidente Evo Morales, em La Paz.
De acordo com Evo Morales, a companhia investiu apenas 81% de seu capital nos últimos 16 anos. A Red Eléctrica possui uma participação indireta de 99,94% na Transportadora de Electricidad (TDE), que administra mais de 1,9 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia.
O presidente da Bolívia Evo Morales tem evitado comentar sobre a decisão da Argentina em expropriar a petroleira YPF. No único momento, em que abordou sobre o assunto, Morales disse que essa questão só cabe à Argentina e a Espanha responder. “A expropriação decidida pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner não vai nos trazer nenhum problema, porque temos uma boa relação e de muita confiança com a Repsol”.
Segundo Morales, a companhia espanhola respeita todas as normas bolivianas e cumpre com todos os investimentos que estão sendo feitos no acordo planejado.
Brasil ainda depende do gás boliviano
Em entrevista cedida ao NN, o gerente Técnico e de Desenvolvimento da Gas Energy, Marcelo Lima de Mendonça, falou sobre a dependência do Brasil em relação ao gás importado pela Bolívia. “O contrato da Petrobras com a Bolívia vai até 2019, e contempla o suprimento de 30 milhões de m³/dia, com um Take or Pay anual de 80%. A partir de 2019, certamente já teremos uma produção significativa no Pré-Sal, a entrada de novos produtores tanto offshore e onshore, e seguramente haverá uma sobre oferta de gás”, disse o executivo.
Para Marcelo, com este cenário, seria possível deixarmos de importar gás boliviano, porém, segundo ele, ainda há incertezas acerca dos cronogramas de exploração e produção da Petrobras e os novos produtores na implantação da infraestrutura para o escoamento de produtos, como gasodutos de transferência, gasodutos de transporte e UPGNs.
Fonte: NN - A Mídia do Petróleo
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