segunda-feira, 8 de abril de 2013

Petrobras Argentina: liquidação de ativos pode não ser o melhor negócio


A subsidiária argentina da Petrobras foi estabelecida em 1993, período em que a empresa brasileira expandia para o exterior. Com faturamento em 2012 da ordem de US$ 2,5 bilhões, a companhia é a quinta colocada no ranking das petrolíferas naquele país. A empresa produz petróleo, gás natural, produtos petroquímicos, eletricidade e possui uma rede de postos de gasolina.
Foi em 2003 que a Petrobras argentina se consolidou no país ao adquirir parte majoritária da empresa Petrolera Santa Fe/Pecom Energia, do industrialista local Gregorio Pérez Companc, então a maior petrolífera do país. Isto significou que a empresa brasileira passou a ser um “big player” no país e a investir significativamente no setor de petróleo e gás. A Petrobras Argentina possui, ainda, sociedade em duas refinarias, duas empresas produtoras de energia elétrica e vários interesses na área petroquímica. A rede de postos de combustível alcança cerca de 300 postos.
Notícias recentes dão conta de que a Petrobras Argentina estaria em vias de se desfazer de parte de seus ativos naquele país. Na realidade, nos últimos dois anos já circulam rumores de que a empresa estaria interessada em se desfazer de alguns de seus ativos em solo argentino. Os rumores e as notícias sobre desinvestimentos não surpreendem, uma vez que desfazer-se de ativos faz parte do plano de cinco anos de negócios da empresa matriz no valor de US$ 237 bilhões. Plantas de energia elétrica e blocos de exploração de petróleo e gás natural no Brasil, licenças de perfuração de poços no Golfo do México, refinarias nos Estados Unidos e no Japão e campos de petróleo na Nigéria, entre outros, estariam incluídos neste processo, cuja meta seria alcançar US$ 10 bilhões com vistas a engordar o caixa da empresa.
Nos últimos anos, a Petrobras Argentina não foi isenta de cobranças e problemas no país. Quando da aquisição da Santa Fe/Pecom Energia havia grandes esperanças no sentido de que a empresa promovesse investimentos grandiosos no país vizinho. E isto foi feito, diversificando para o refino, rede de postos de combustíveis, produção de energia elétrica e petroquímica. Contudo, por diversas vezes o governo argentino cobrou da empresa a ampliação de seus investimentos, considerados aquém das expectativas. A Argentina dos Kirchner, altamente simpática aos países bolivarianos, vem flertando com o nacionalismo dos recursos naturais, o que talvez seja compreensível após tantos anos de abertura radical e destruição do parque industrial do país.
Seja como for, a venda de ativos na Argentina vem sendo cercada de rumores. Desde novembro do ano passado, noticia-se que a participação da Petrobras Argentina nas refinarias Dr. Ricardo Eliçabe em Bahia Blanca, província de Buenos Aires e Refinor em Salta, estariam para ser vendidas. O Scotiabank Brasil teria sido contratado para gerir as vendas e os interessados incluiriam as empresas YPF, Pluspetrol, Tecpetrol e Bridas.
A empresa também teria concordado em vender sua participação em duas empresas que, juntas, somariam quase 50% da holding de energia elétrica Edesur. O negócio, concluído com as empresas argentinas Hidroelétrica Piedra del Áquila e La Plata Cogeneracion, teria rendido o valor de US$ 35 milhões.  Mais recentemente, noticiou-se que a empresa teria vendido, por preço considerado muito abaixo do mercado, 50% de sua participação nos negócios na Argentina a um associado da presidente Cristina Kirchner, o que estaria gerando grande insatisfação na sede da Petrobras no Rio de Janeiro.
Porta-voz da empresa vem negando estas notícias, mas ao que parece a Petrobras manteria os ativos de gás de xisto no campo de Vaca Muerta e os blocos de exploração offshore, onde atua conjuntamente com a YPF e a Enarsa. Manteria, ainda, a rede de 300 postos de combustível. 

Fonte: NN - A Mídia do Petróleo

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