terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Conter queda da produção é o desafio da Petrobras em 2013



Além dos problemas de sempre, entre os quais os prejuízos contínuos com a venda subsidiada de gasolina e diesel, o grande desafio da Petrobras em 2013 é conter a abrupta queda na produção de petróleo a partir de 2009 nos campos antigos. A menor produção significa mais dificuldade para transformar os pesados investimentos da companhia em receitas, e o tamanho do tombo atingiu níveis alarmantes nos últimos três anos.
Em 2012, a Petrobras pode registrar a terceira queda da produção total em seus 59 anos de existência. A primeira aconteceu em 1990, durante o governo de Fernando Collor, e a segunda em 2004, quando a companhia produziu 3% menos que no ano anterior. Para entender o declínio da produção da petrolífera brasileira, a Bradesco Corretora analisou a vazão de óleo de 8.878 poços de extração em terra e no mar registrados no Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da ANP, ao longo de sete anos, entre agosto de 2006 e agosto de 2012. Os dados compilados pelos analistas Auro Rozembaum, Bruno Varella e Marcos Dong com base no BDEP impressionam. Entre 2005 e 2010 o declínio da produção foi de 32%, percentual que subiu para 38% entre 2010 e 2011, chegando aos 40% entre 2011 e 2012. Não só o declínio é maior que a média, como estava acelerando. O tema preocupa enormemente a ANP.
O analista Rozembaum, da Bradesco, explica que para analisar as causas desse declínio os poços foram divididos em duas categorias: os terminados ou descontinuados (seja para manutenção ou por falta de equipamento) e os que foram continuados, além dos novos. Se desconsiderada a produção de novos poços que foram substituindo os que estavam em declínio ou foram fechados, a queda na produção no espaço de um ano foi de 27%. Como foram adicionados 500 mil barris produzidos por 834 novos poços perfurados (alguns em campos antigos) no final a queda líquida foi de 2,2%.
Causas do declínio
O declínio pode ser visto de vários ângulos. A queda da produção dos poços antigos como percentual da produção saltou de 11% em 2006 para 27% em 2012. O analista destaca que a forte piora da produção da Petrobras nos últimos dois anos é explicada pela descoberta do pré-sal, em 2007, que mudou o resultado do jogo. "Naquela época a Petrobras não tinha nem equipamentos nem dinheiro e precisou refazer não apenas sua estratégia como também sua escala de produção. Naquela altura, resolver o problema do dinheiro foi fácil, mas demorou cinco anos para chegar ao número adequado de sondas capazes de perfurar em águas profundas", diz Rozenbaum.
Com o pré-sal, a Petrobras se deparou com uma "Escolha de Sofia", título do relatório do Bradesco emprestado do livro de William Clark Styronx em que uma mãe judia foi obrigada por um nazista a escolher qual dos dois filhos seria levado para a câmara de gás. No caso da estatal, a escolha impossível significou usar equipamentos disponíveis para manter os níveis de produção da época ou cumprir os compromissos de exploração do pré-sal para atender os prazos estipulados pela ANP para não perder áreas.
A decisão, conhecida, foi correta, diz Auro Rozembaum. Apesar de ter resultado na difícil situação atual, o analista do Bradesco vê uma série de boas notícias. A primeira delas é que a Petrobras já tem 40 sondas de perfuração à sua disposição, a segunda é que a queda da produção não se deveu ao esgotamento dos reservatórios - caso do México -, mas sim à falta de equipamentos que levou a uma manutenção inadequada dos ativos. "A terceira boa notícia é que a produção do pré-sal é uma surpresa positiva e ficou muito além das expectativas", diz.
Os poços do pré-sal estão produzindo uma média de 26 mil a 32 mil barris de petróleo por dia, muito além da expectativa inicial da Petrobras, que era de produzir 15 mil barris diários, na média.
Fonte: NN - A Mídia do Petróleo

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