sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pacote do governo não “anima” produção industrial


Mesmo com a enxurrada de incentivos fiscais, políticos e monetários destinados à indústria brasileira, o governo não conseguiu conter mais uma vez a queda de produção no setor industrial. Foram repassados a todos os segmentos, mais de R$ 100 bilhões desde o início do governo da presidente Dilma Rousseff. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção no mês de maio caiu 4,3% frente ao mesmo período do ano anterior. Segundo os cálculos da pesquisa, esse é considerado o pior resultado desde setembro de 2009, quando a produção caiu 7,6%.


A queda da atividade industrial na passagem de abril para maio de 0,9% foi explicada pelo recuo na produção de 14 dos 27 segmentos investigados. Os principais impactos negativos foram ligados aos setores de veículos automotores (-4,5%) e de alimentos (-3,4%).

Preocupado com os números, o diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, disse em entrevista à Agência Estado, que o BC pode intervir no câmbio se for necessário para não prejudicar a competitividade da indústria nacional. “O dólar abaixo desse nível de R$ 2 pode não ser bom para a indústria", disse Mendes.

O setor que mais puxou essa retração da indústria, nos primeiros cinco meses deste ano, foi principalmente na área de bens de capital, onde incluem máquinas e equipamentos de transportes. Segundo o economista da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa, os empresários ainda estão cautelosos e não enxergam um consumo forte no futuro. “Os juros estão historicamente baixos, mas isso não é capaz de estimular os investimentos”, ressaltou.

De olho nos resultados do IBGE, a Federação Nacional Brasileira de Veículos reviu para baixo as projeções de vendas para este ano. A estimativa do setor nas vendas de automóveis passou de alta de 3,5%, para queda de 0,4%.

Pibinho

Em um discurso bem pessimista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega disse na última semana que o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 2012, crescerá menos do que os 2,7% de 2011, e ressaltou a possibilidade de haver nova frustração já para o próximo ano, devido a crise europeia, no qual está afetando diretamente a China – maior parceria comercial do Brasil.

Para o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, o pífio resultado do PIB decorrerá, sobretudo, da estagnação da economia no primeiro trimestre. "Prevalece uma visão de recuperação em 2013, mas a intensidade dessa recuperação tem sido revista para baixo", concluiu.


Fonte: NN - A Mídia do Petróleo

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