No Seminário sobre combustíveis realizado no Instituto Brasileiro de Executivo de Finanças (Ibef), ontem (30), no Rio de Janeiro, o diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) Alan Kardec, disse que o etanol hidratado - o mesmo que é utilizado nos carros flex - só voltará a ser competitivo financeiramente frente à gasolina no Brasil em dois ou três anos. Segundo Kardec, o cenário de oferta e consumo do etanol no Brasil ainda não possui um padrão determinado, com isso a competitividade do biocombustível é afetada. "Temos hoje uma grande imprevisibilidade de oferta e consumo de etanol no país", relatou.
Buscando reerguer-se, a produção do etanol apresentou um leve crescimento ante a frágil safra do centro-sul da temporada passada, conforme informações da indústria de combustíveis. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço do etanol hidratado teve cotação baixa pela terceira semana consecutiva em São Paulo – principal produtor do Brasil.
Na primeira quinzena do mês de maio, a produção de etanol, incluindo anidro e hidratado, no centro-sul do país reduziu aproximadamente 40%, atingindo 1,32 bilhão de litros. Segundo dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), o etanol hidratado registrou 451,11 milhões de litros nas últimas duas semanas de abril deste ano - também originado na região centro-sul. Já o etanol anidro obteve 266,77 milhões litros no mesmo período.
De acordo com o presidente interino da Única, Antonio de Pádua Rodrigues, a necessidade de um marco regulatório para etanol é eminente, haja vista que o tema está em pauta nas reuniões do governo federal. O presidente destacou o baixo número de novas usinas implantadas no país de 2010 a 2012, serão no máximo 15, ante ao período de 2004 a 2009, onde foram implantadas 105 usinas.
O diretor de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, falou “que esse ano ainda vai ser um ano de dificuldades para o etanol, não só por questões climáticas, mas porque parte do setor ainda atravessa dificuldades financeiras”. Dornelles disse ainda que “a safra deve vir um pouco maior, mas o crescimento é modesto".
Presente no seminário do Ibef, o secretário de desenvolvimento econômico do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, criticou a política de preços dos combustíveis. Segundo ele, a determinação do governo de não repassar para o preço da gasolina a influência do preço do barril de petróleo no mercado internacional, acarreta em problemas na economia do país. “O preço (combustíveis) tem que ser conseqüência natural do aumento da produtividade e da eficiência dos meios de produção”, declarou o secretário.
Foto: Divulgação / (Com informações da agência Reuters e Valor Econômico)
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